"Este espaço foi idealizado por "Priscila Viper" (Metrílica), numa troca de idéias in "Second Life", em especial, após seu encantamento com os contos escritos por "Josh Krovac" um AV especial.
Tenho o prazer de acrescentar, outras experiências, textos de amigos e amigas, como: Karan Chayoo
...entre...leia...envolva-se...entregue-se aos encantos das experiências vividas in Second Life!" (by Metrílica)

"A Perda - Parte III" Josh Krovac

PARTE - III

Assim que Loki relogou, bateu o tp.
“Para de enrolar e vem, irmão”
Era essa a frase que estava no tp.
Ele sabia como o Zeta era prático.
Simples e direto.
Com esse jeitão, conquistou a JJ.
Ele lembrou quando os dois se conheceram.
Foi amor à primeira vista.
A JJ era amiga da Ella.
O Zeta era um avatar que ele havia conhecido numa loja e que era amigo, do amigo, do amigo.
Mas bateu a maior sintonia entre os dois.
Meia hora de papo e já estavam adicionados na lista de contatos.
Naquele dia, ele convidou o Zeta para uma festa.
Falou que ia apresentar uma amiga.
O Zeta havia dito que o que lhe faltava no SL, era uma namorada.
Ele sabia que a JJ estava já há um tempo sozinha e pronta para namorar de novo.
O antigo namorado, só ela gostava.
Ele, a Ella e o resto da turma, não gostavam dele.
Era um avatar arrogante.
Como tinha grana na RL, esbanjava na SL.
Ninguém na turma era assim.
Era uma galera que ganhava a vida no SL, com esforços dentro do SL.
Sem grana RL.
Trabalho, jogos, sploders, camping, o que pintasse.
Ele mandou uma MI para Ella:
- Amor, vou levar um cara na festa.
- A JJ vai gostar dele, tenho certeza.
Ela respondeu:
- Além de lindo, você agora é cupido?
- Te amo Ella. A gente se vê na festa.
- Agora estou fazendo compras (rsrs) com a JJ.
- Vou falar para ela do cara.
- Beijos meu amor.
- Te amo cada vez mais.
Lembrou por fim da MI que recebeu do Zeta, assim que foi apresentado a JJ:
- Irmão! Fodeu! Ela é um anjo. Já apaixonei.
Enfim, ele voltou os pensamentos ao tp.
Olhou sua lista de contatos, só para ter certeza que Ella não estava logada.
O nome dela não estava realçado.
Ella continuava off.
Off já há uma semana.
Ele respirou fundo e clicou no tp.
(...)

A Perda - Parte II - Josh Krovac

PARTE - II

Mais um dia de solidão.
Ele rodou o SL e logou-se.
Logo em seguida, a surpresa!
Uma MI.
Será?
Ele só pensava em um único avatar.
Ela! Ella!
Antes de abrir a caixa de diálogo, rogou aos céus que fosse Ella.
Sua Ella.
Logo em seguida, veio a decepção.
Era uma garota sim.
Mas era JJ.
Mulher de seu amigo Zeta.
O casal mais chegado deles.
Os grandes amigos.
Sempre estavam juntos.
Festas, passeios, tudo, tudo.
Quando um dos quatro não estava logado, os demais ficavam em casa, esperando.
Ou ficavam na casa de JJ e do Zeta, ou na casa deles.
Sempre esperavam o último avatar do quarteto logar, para saírem e se divertirem juntos.
E como se divertiam.
Ele sempre tinha as tiradas certas.
A frase engraçada na hora certa.
O Zeta fazia as micagens.
E as garotas riam até não poder mais.
Voltou sua atenção a MI da JJ.
Estava escrito:
- Estamos preocupados demais com você.
- Pelo amor de Deus, venha aqui em casa!
- Precisamos ver você.
Ele não tinha a menor vontade de sair de casa.
Mais ainda, não tinha a menor vontade de estar com ninguém.
Mas Zeta e a JJ, eram muito especiais.
A amizade dos quatro, já durava dois anos.
Não dava para ignorar o apelo.
Sem vontade, resignadamente, teletransportou-se para lá.
Assim que surgiu, o Zeta foi logo dizendo:
- Ô irmão!
- Porque sumiu?
- Esquece que a nossa amizade é para todas as horas?
- Queremos você aqui com a gente.
- Estamos aqui para te ajudar.
Ele já sabia disso.
Sabia que aquele casal era de amigos verdadeiros.
Ele só não os procurava, para não atrapalhar.
- Poxa cara!
- Sei disso tudo.
- Mas não sou boa companhia não.
- Minha tristeza é contagiosa.
- Loki, não importa! Disse JJ.
- Você sabe que te adoramos.
- Somos uma família aqui.
- Sua ausência, causa mais sofrimento ainda na gente.
- Já nos basta a dor da ausência da Ella.
- Você também não pode nos abandonar.
- Sei disso JJ.
- Mas não tenho nada para dizer.
- Nada para conversar.
- Não tenho mais interesse em nada.
- Uma semana que não faço outra coisa, a não ser tentar entender.
- Tentar entender porque a Ella partiu assim.
- Sem avisar.
- Irmão! Deixa te falar uma coisa.
- Diz Zeta!
- Seguinte. Você sabe como sou prático.
- Sei sim Zeta.
- Então. Vou te dizer algo que dói. Mas vou falar.
- Fala logo cara!
- Irmão. Ou você toca a vida aqui para frente, ou cancela a conta.
- Não dá para ver você assim.
- Jogado num canto.
- Vagando sem rumo.
- Sofrendo e sofrendo.
- Isso não é vida.
- Eu sei disso tudo Zeta.
- Penso nisso tudo.
- Mas não consigo tomar uma decisão.
- Fico na esperança que ela vá aparecer.
- Que pelo menos vou ter uma explicação.
- Que vou poder entender.
- Se ao menos eu tivesse isso.
- A falta de esclarecimento, a incerteza do que ocorreu, é que me fazem inseguro de tomar uma decisão.
- Mininu! Pára de sofrer assim. Disse carinhosamente JJ.
- Olha só. Sabe minha irmã, a Laura?
- Que tem ela JJ?
- Vai ter uma festa na casa dela hoje.
- Aniversário surpresa para Annie.
- Vamos conosco?
- Ah JJ! Vou fazer o que lá?
- E justo aniversário da Annie?
- Ué? Vai lá para melhorar o astral.
- Se recuperar.
- Quando o Zeta falou para você tomar uma decisão, quis dizer que quer você aqui.
- A sugestão de cancelar a conta foi só para te sacudir. Te fazer acordar.
- Perceber o que estava deixando para trás.
- Fazer você notar o quanto é bom estar aqui, conosco.
- A ausência da Ella, machuca eu e o Zeta também.
- Vira e mexe ele fala para eu parar de chorar.
- Então temos que ir em frente.
- Mas JJ, sem a Ella?
- Sem a minha Ella, não dá!
- Não tem a menor graça.
- Loki, você gosta da gente?
- Claro que sim.
- Que dúvida besta JJ.
- Então faz assim.
- Hoje você vai conosco à festa.
- Amanhã você resolve o que vai fazer.
- Nem que essa festa seja de despedida.
- Tá bom assim mininu?
- Mas JJ.....
- Sem mas irmão!
- Você conhece minha mulher.
- Quando ela pede uma coisa, é bom fazer.
- Senão já viu né? Depois é a minha orelha que vai arder.
- Está bem. Vou por vocês.
- Vou ficar 10 minutos e vou embora.
- Não. Não!
- Você conhece a Annie e conhece a Laura também.
- Vai ficar lá, no mínimo uma hora.
- JJ, quer que eu vá?
- Claro que sim! Eu e o Zeta queremos.
- Então eu vou e vou ficar o tempo que achar que devo.
- Senão nem vou.
- Ganhou essa de mim Loki. OK. Fica o tempo que quiser.
- Então está bem.
- Agora vou voltar para casa.
- Fica mais um pouco. Eu e o Zeta temos tanta coisa para contar para você.
- A gente também está sofrendo. Com você aqui a dor diminui.
- JJ, à noite a gente fala mais. Na festa.
- Quando vocês chegarem lá, me dão tp, está bem?
- OK irmão. Faremos isso.
- Até mais.
- Beijos mininu!
- Té irmão!
Ele voltou para casa.
Iria à festa.
Mas só para atender aos apelos do casal.
Devia isso aos dois.
E ele já havia decido.
Iria à festa.
Curtiria seus últimos momentos com eles.
No dia seguinte o SL teria fim.
Cancelaria a conta.
Deletaria seu avatar.
Cometeria suicídio.
Sem Ella, não havia motivo para estar vivo.
E assim, com esses pensamentos e essa resolução, ele deslogou-se.
(...)

"A Perda - Parte I" Josh Krovac

A PERDA




Chovia.
O sol não se atreveu a aparecer.
Na praia, apenas alguns surfistas na água.
Ele caminhava à beira-mar.
Devagar.
Usava uma jaqueta impermeável e bermuda.
A chuva não incomodava.
A dor que trazia no peito, deixava-o imune a qualquer incômodo.
Estava torpe. Anestesiado.
O coração batia fraco.
Quase sem vida.
Caminhava sem pressa.
Sem rumo.
Sem alegria.
A tristeza e a solidão eram companheiras definitivas.
A perspectiva de cancelar a conta, era uma dor agradável.
Um alívio para o martírio que o consumia.
Ele flertava com a doce idéia do fim.
Para que continuar ali, se estava só?
Se ela havia sumido.
Sem mais, nem menos.
Ele lembrava da última vez que estiveram juntos.
De todas às vezes, aquela sem dúvidas, foi a melhor.
Tanto amor, tanto carinho.
Tantas promessas.
E agora, o vazio.
A ausência.
O abismo.
Havia os amigos.
Muitos deles.
Mas nada mais tinha graça.
Festas, encontros, visitas.
Sozinho?
Não valia à pena.
Não tinha nada mais agradável para ele, quando conversavam com um grupo de amigos, do que ficar mandando MI’s para ela:
- Você está linda!
- Eu amo você!
E ela sempre respondia.
- Rs, rs.
- Também te amo.
- Meu amor.
Era uma brincadeira entre os dois.
Uma forma de mostrar que mesmo com um mundo à volta deles, um sempre estava ligado ao outro.
Então, para que ver os amigos?
Para ter o desconforto do lag?
Para ter lembranças dolorosas?
Para machucar o coração ainda mais?
Para quê?
Esses pensamentos passeavam na sua cabeça.
O pensamento que mais constante, que mais martelava e insistia em permanecer ali, presente em sua cabeça, era:
- Por quê?
- Porque sumiu?
- Porque foi embora, sem ao menos dizer que ia?
- Porque não acabou com tudo antes de partir?
Ele não conseguia entender.
Por mais que se esforçasse, não achava razão.
Ela não tinha motivos para uma atitude tão intempestiva.
Nada. Nada justificava ou explicava esta atitude.
O último papo dos dois tinha sido na casa deles, deitados na cama, momentos antes de deslogarem-se:
- Boa noite linda!
- Até amanhã, meu amor.
- Dorme bem gata.
- Fica com deus meu fofo.
E depois................
Silêncio.
Ausência.
Off permanente.
Ele chegou a ficar logado mais de 24 horas direto, para ver se a encontrava.
Não conseguiu.
Ela simplesmente evaporou.
Ele sabia que a conta estava ativa.
Mas inoperante.
Nenhum amigo tinha visto ela logada.
O desespero era grande.
Já fazia uma semana que ela estava ausente.
O que era pior, sem avisar.
Ele não agüentava mais caminhar.
Sentia-se sem forças.
A dor era muito grande.
Sentou na areia e ficou olhando o mar.
As ondas, os surfistas, a chuva.
Ele olhava e nada via.
O pensamento vagava.
E com ele, o seu olhar.
Abaixou o volume da música que tocava na land.
Era surf music.
Chorou.
As lágrimas verteram com força.
Uma semana contendo o sofrimento.
Não agüentou.
Externou a dor.
Olhava para o mar e chorava.
As lágrimas, misturadas às gotas de chuva.
Sua cabeça estava vazia.
Só pensava em cancelar a conta.
Doce suicídio.
Terminar com o sofrimento.
Ficou assim, por trinta minutos.
Quando se sentiu um pouco mais calmo, foi para casa.
A casa ficava enorme e vazia sem ela, mas era seu último refúgio.
Tudo muito quieto.
Há dias, não havia música.
Ele preferia assim.
O rádio mudo.
Silêncio total.
Só ao fundo, baixo, o som das ondas.
A casa era na praia.
À beira-mar.
Não havia motivos para ter música.
Sua alegria tinha ido embora.
Junto com seu amor.
Deitou no sofá e lá dormiu.
Queria nunca mais despertar.
(...)

"Ultimo Momento" Josh Krovac

Último momento

Eles sentaram-se em um banco.
Ela, de frente para ele, colocou a cabeça em seu peito, encolhendo-se toda.
Mas não estava com frio.
Ele a recebeu. Aninhou-a.
Abraçou-a contra o peito, com delicadeza, com proteção.
Ela passava lentamente sua mão pelo peito e pelo braço dele.
E assim ficaram.
Quietos.
Sem falar.
Sem pensar.
Apenas sentindo a presença um do outro.
Aquela seria a última vez.
A temperatura era agradável.
Confortável.
Eles sabiam que nunca mais teriam um ao outro.
Mas não iriam falar de despedidas.
Iriam apenas aproveitar o último momento juntos.
Serem felizes mais uma vez.
A última vez.
Ficaram ouvindo a música que tocava.
Não era a música deles.
Apenas só mais uma música.
Então, ele mergulhou sua mão nos cabelos dela.
Gentilmente, levantou seu rosto em direção ao dele.
E se olharam.
Não olhavam nos olhos.
Olhavam na alma.
Faziam juras de amor eterno em silêncio.
Falando com a alma e o coração.
Assim, se amaram.
E se beijaram.
Um beijo delicado, mas intenso.
Um beijo apaixonado.
Um beijo de amor.
Um último beijo.
E aí, chegou o final.
Ela precisou desligar o pc.

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